O PASSARINHO

Publicado em 13/04/2011 - 6 intervenções -

E se eu te deixar voar passarinho?
Minha casa ficará sem a música que encanta meu dia triste.
Ficarei também sem poder te olhar, coisa que tanto gosto...
E o tempo voltará a ser seco em mim.

E se eu te deixar ir, passarinho?
Amanhã talvez não amanheça igual,
Minha lembrança será mais amarga.
Minha voz menos atrevida, pois não terei para quem me aparecer.

E se eu te forçar a ficar, passarinho?
Sentirei-me sempre o teu carrasco, algoz ou carcereiro.
Pois não nasceste aqui e a mim não pertences.
Serei grade suja, mão fechada e chave perdida.

E seu eu te deixar voar, passarinho?
Verei a porta aberta para qualquer outro não igual a ti,
Que não cantará igual, mesmo que seja igualmente belo...
Mesmo que tenha as mesmas cores ao redor.

E se eu te deixar ir, passarinho?
Sabes que levarás contigo pedaço de mim, que nunca mais darei a ninguém,
Pois não costumo tomar o que dei,
Tão pouco doar o que não é meu.

E se eu te forçar a ficar, passarinho?
Talvez eu nunca mais ouça teu canto, como antes,
Cada vez mais fraco, até emudecer.
Ou talvez tão seco, que me convencerá, mesmo sem querer, a deixar-te ir.

Pois quando estavas em minha mão, quiseste ficar,
Mas os ventos também eram outros e aquele parque não tinha paredes...

Se ir, ou se voar, ou se até mesmo eu forçar, não devia ser coisa de questionar,
Gostaria só de estar perto para poder cuidar...

MAIS QUE SEI

Publicado em 05/02/2011 - 0 intervenções -

Me encontro em uma sala escura,
cercado de bons amigos, novos e velhos, mas não muitos, exatos 3.
Juntos somos algo, separados somos pessoas.
Nas minhas mãos tenho um instrumento de cordas,
e a frente há um microfone.

Aqui deixamos a música ser a rainha.
Amo esse momento, como amo viver.
O prazer desses dias é remédio para a solidão de outros tempos.
Onde o frio machucava a pele e intimidava a alegria.
Saudades tenho também, terei sempre do que foi bom e do que ainda é.

Mas agora estou aqui, e o resultado arrepiada a pele,
sinto-me enorme e ao mesmo tempo quase nada.
Sinto-me importante ao mesmo tempo que sou parcela.

Aqui somos deuses a distorcer o que nos diverte,
deixando lá fora, tudo aquilo que nos impede de ser uma coisa só.

Aqui somos tudo, sobre a guarda da rainha.

ÁRIDO

Publicado em 09/11/2010 - 2 intervenções -

Era solo de árido horror.
Seco como o ar que agente respira por aqui.
A neblina era poeira e vento, nada mais que ilusão.
E o solo igualmente seco, ardia de dor,
pois sentimento era tão inútil quanto essa poesia.
As vezes não se entende porque no brilho cruel da faca a gota rubra embebeda o chão.
Amigo eu respondo: “É falta de tudo, de comida ao tacto”.
O que sobra aqui é o árido. Árido dia. Árido olhar.
Seco, tudo seco.
Não é só o mar o que eles nunca viram. Faltam cores.
Tudo é tão marrom, em vários tons, mas tudo é marrom.
Eu mal consigo ver esses heróis desdentados, os meus olhos ardem. 
Mau consigo respirar. O ar cheira a fumaça na terra com nome de santo.
A mesma terra dialoga com a fome, palmo a palmo e olhos nos olhos.
Levanto e sigo, tentando esquecer onde fica o lugar que me ofendem sem conhecer.
Onde um santo mais privilegiado que o que nos vela deu seu nome.
Árido é o manto de deus. Árida é a certeza de morte.
Nem o pensamento é menos fértil que suas mulheres. 
São mais filhos que soluções. Mais que qualquer outra coisa, sorriso.
Porque a ignorância é benção, para que não sente o pesar. 

Un Café Solo! #25

Publicado em 17/10/2010 - 1 intervenções -

“A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas ruins fazendo coisas ruins. Mas, para que as pessoas boas façam coisas ruins, é preciso a religião.” 

Arrotos #3

Publicado em 08/10/2010 - 0 intervenções -

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.

Gibran Khalil Gibran

AQUI NÃO POUSARÁ NINGUÉM

Publicado em - 2 intervenções -

Ele queria daquelas emoções banais.
Circundado por alguém que lhe tocasse bem.
Uma miúda prestativa e interessada,
que falasse, mas que ouvisse.
Ele queria vícios belos, aqueles temperados de sexo e virtude.
Ele queria provocar coisas,
por menos que dissesse sim.

Verdades, de tudo que você escolhe.
Mentiras, em tudo que você esconde.

Tudo, tudo tudo, começava sempre errado,
por mais belos que fossem os casos,
por mais vida longa que parecesse ter, mesmo que de longe.

Todo, todo, todo, sentimento era magro, como ele.
Era só abraço, atração, amaço e provocação.

Ele repetia sem ver, nem acreditar.
"Verdade, nada pousa por aqui."

Un Café Solo! #24

Publicado em 05/09/2010 - 1 intervenções -

"Life's boring and futile. We start off with high hopes, then we bottle it. We realize that we're all gonna die, without really findin' out the big answers. We develop all the long-winded ideas which just interpret the reality in our lives in different ways, without really extending our body in worthwhile knowledge, about the big things, the real things. Basically, we live a short, disappointing life, and then we die. We fill up our lives with shit, things like careers and relationships to delude ourselves that it isn't all totally pointless..."