05/08/2007

A CIDADE DAS SETE COLINAS

Foi quando subi ao alto, tudo parecia tão frio.
Quase tocava nuvens, eu as quis, eu as quis.
Em um novo tempo, segui até a sétima colina, finda Lisboa, finda.
Acaba comigo, me destrói, me lança para longe daqui.
Eram mais que sete e eu podia vê-las todas. Sim, eram mais que sete.
Catedrais velhas e prédios novos, a Quinta dos Calados é o Sítio dos Mortos.
Livra-me Lisboa, destrói minha alma. Mata-me de perto, ou mostra-me quem tu és.
Estou no alto já consigo vê-la quase toda nua. Linda és tu Lisboa.
Namora-me, usa-me, corrompe-me ou deixa-me em paz.
Eram mais que sete e nem contei as colinas de aço erguidas pelo homem.
Não houve motivo, apenas quis contar as colinas. Desde Algés até aqui que sinto o frio.
Corta minha alma não tê-la toda, pois olhei seu rosto de perto.
Caminhei por ti quase toda, para saber que em casa sou mais feliz.
As sete direcções de teus filhos. Amamenta-me agora.
Foi quando quis cair, me seguraste, sou teu.
Confesso que não sei onde vou hoje. Sei o caminho de casa.
Mas já agora não sei como ir. Me faltam pernas.
Quis ver-te despida e cansei de subir.
Mas não faltará ânimo para a próxima pintura.
Corro por tuas ruas gritando o nome dela.
Fica com ciúmes, mas amo as duas.
Odeia-me então, és apenas uma grande cidade.
Já ela, o amor maior de uma vida inteira.
A minha oitava colina. O amor.

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