05/08/2009

FUNERAL DA FLORES

Minhas flores morreram,
Eu as trazia com tanto cuidado, mesmo em minhas mãos, elas morreram.
Cada uma delas, cuidadas como se fossem a ultima.
Mas todo o cuidado foi em vão.
O calor do nosso inferno mata, bem como o frio de nosso inverno também o faria.
Bem, elas tinham que morrer, para ver como podemos enxergar a beleza na memória de bons dias.
Fé na vida. Mataremos tudo que não pertence só a nós.
As flores que trouxe não eram minhas, nem suas.
Elas pertenciam a todos.
Abra a porta, para nosso novo homicídio colectivo.
Amanhã serão os cães de rua. Atropelaremos um a um.
Até que todos os malditos cães morram, todos.
Eles não são nossos.
Minhas flores estão mortas, mulher.
Eu não cuidei delas de jeito
Veja como secam nesse sol.
Trago em minhas mãos vossas pétalas mais escuras.
Encarnado, Vermelho, a Rubra Cor.
Tons de sangue pisado.
Matem os cães, mas deixem-me vivo.
O homicida, o maníaco e o homem normal.
Mataremos tudo que não pertence a nós.
Mataremos a mim por você e a você por mim.
Atire quando ver o castanho de meus olhos.
Atire entre eles, mulher.
Eu sei quem errou!
Fui eu!
Onde errei?
Deve ter sido no meu primeiro cumprimento a você.
Mataremos a poesia e de quebra a música.
Mataremos tudo que se mexer no raio de quilómetros.
Assim que amanheça, até anoitecer.

Sem comentários:

Enviar um comentário

AVISO: O sistema de comentários está aberto a todos os leitores, no entanto sinto-me no direito de apagar qualquer coisa que julgue ofensiva. Obrigado .