05/08/2007

TÃO LONGE

O sono só me chega quando a luz se vai.
Vem mais um dia, frio aqui e onde ela está.
Quem sabe de seu destino pelas ruas da grande cidade.
O álcool eleva seu espírito. Alegra o coração ou o faz esquecer-se.
Me faz sorri e me perder entre todas aquelas
Cinzas que você conhece.
Mas uma carteira amassada, calçada húmida e poste frio.
Já nem sei se sou eu ou se é ela.
Ambos perdidos, ambos sozinhos, como todos os nossos amigos.
Outro gole, mais uma lata, novamente o chão húmido.
O frio rasga a noite, eu não devia ir tão longe.
Uma festa, uma música, vários pensamentos.
Alguém a chama pra dançar.
Às vezes eu sou alguém.
Às vezes ela nega, ela se perde, como todos nossos amigos.
Que sabem que amanhã vai amanhecer.
15 dias pra dizer o que você teve a vida toda pra falar.
O som alto o tempo todo para emudecer o pensamento.
15 dias, 14 horas e trinta e poucos segundos.
O mundo gira em translação alcoólica.
Dia e noite se confundem num misto de sinceridade e embriagues.
E no espelho do banheiro de um bar ela retoca a maquiagem e pensa em dias melhores.
Eu chego em casa à garganta me fulmina.
O sono deita em minha cama, vemos juntos a luz entrar pela janela.
É hora de dormir. Já passa da hora de acordar.

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