25/02/2008

ELE NÃO SABE NADA BEM

Ele levanta-se sempre depois da 1 da tarde.
Acorda invariavelmente tonto. Mira-se no espelho torto e acha-se feio, terrivelmente feio.
Escolhe roupas que nunca caem bem a ninguém. É tudo que tem.
Um tapete sujo, um cão mais ainda. Todos têm o mesmo cheiro.
Ele também. Ele, o cão.
Escova os dentes e deseja drogas leves. Ele, não o cão.
Talvez um livro arrasador para começar o dia.
Notícias de suicídio no jornal. Notícias de greve no jornal.
Fora de casa mais uma vez, ele nunca esteve em casa talvez.
Em pé, porem não acordado, porem sem ter dormido.
Mais uma vez, o que a sociologia não explica.
O que a ciência acha que sabe e o que a mentira mascara.
O cão que late não é o seu.
O seu cão, aquele que cheira como o tapete, está calado, mais algo nunca o deixa dormir.
Não tem mulher, ninguém o quer. Não quer voltar, não quer ficar.
Não sabe para onde ir, quer ir para o mar, mesmo sem saber nadar. Mesmo sem nada para olhar.
Ele se olha no reflexo da janela, ouve música alto para não ouvir a cabeça.
A consciência é um estado a perder, um lugar para chegar.
2:30. Falsos intelectuais, círculos culturais, treina o inglês, falando com alemães.
Um professor cospe, ele escreve, ele descreve, ele erra, as vezes acerta, junto, quando todos acertam.
Não há mérito, não há crédito. Ele é fiel, não crê em deus, não fala em casa.
Ele não tem com quem falar. Ele anda só e mal acompanhado.
Ele é como eu, ele não existe. Não existe sem mim.

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