11/02/2008

O HOMEM DO CANTO DA SALA

Há um pano branco estendido pela janela. Paredes de madeira cercam-me.
Estou quase sufocado. Há uma leve fragrância no ar, que penso vir do canto daquela sala.
Também há um nevoeiro lá fora, não há nitidez, nem lá, nem onde estou. Tudo me invade agora.
Sombras indecifráveis movimentam-se em meio ao nevoeiro. Me vejo aflito, mãe.
A luz velha do sentido abandona-me, eu não tenho paz. A noite vem caindo.
As trevas da noite caem por toda parte e ainda é turvo ao meu olhar.
Múltiplas faces vêm à minha lembrança, mas ninguém é visivelmente conhecido.
As rosas são velhas como minhas vontades e a sua beleza é tão efémera quanto a minha força de realizar qualquer coisa que quero. Cada dia que morro, por consequência, acordo pior, mais sujo, mais inquieto e mais perdido e descontrolado.

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