20/04/2008

ACORDES DE DOR MAIOR

Faz apenas dois dias que ela morreu em mim.
Na verdade, pelo que percebo, foi um suicídio.
Ela provocou o fim dessa saudosa vida.
Foi literalmente aos poucos, como a morte de quem fuma cigarros.
Quantas vezes avisei do mal que faz afastar-se tanto. Sempre temi.
Eu me circundei de lembranças boas e bom sexo.
Ela não, nem do doce e nem do fogo.
Apenas falou que não era normal viver assim.
E eu pergunto, “mas assim como?”
Quando ainda faço planos, estou mal acostumado e mal apanhado nesse susto.
Aquele tiro, meu deus, aquele tiro. Me encheu de terror.
Quando foi a hora de acordar, eu nem se quer havia dormido.
Continuamente vejo.
Cada coisa agora é nova, cada cena agora é um filme inédito.
Tive medo e esperei para ver. Se eu tivesse corrido antes, escondido aquelas armas.
Trancado-as na gaveta, quem sabe agente tivesse final feliz.
Nem final, nem feliz.
Não há música que embale, olho para aquele caixão e olho para ela.
A ressentir aquela minha mais profunda culpa, não sei.
Quem partiu fui eu, fui eu quem se foi, mas jurei que voltava.
Ela partiu sem fazer juras, partiu sem demonstrar vontades diferentes.
Simplesmente, partiu.

3 comentários:

  1. Genial Fernandes

    parabens kra

    seus textos sempre me trazem coisas pra pensar

    ela morreu realmente,ou apenas no sobconsciente?!?!?!

    parabens mais uma vez :D

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