23/05/2009

Dor Norte-Americana é uma Dor Mais Grande

Eu nunca fui muito a favor do uso da palavra coração para a ideia de falar sobre sentimentos, sempre amei com minha cabeça, pois amor pode ser razão, se você fizer uso razão. O coração é apenas um músculo cardíaco, nunca me apego a metáforas deste tipo. Mas acho piada ouvir as coisas do modo que são ditas. A medida que a televisão exibe suas novelas e os filmes dos perfeitos heróis em azul e vermelho da nação do norte americana.

Já a África, de facto é um continente perdido, esquecido e negligenciado. À excepção do mercado negro dos diamantes, do marfim, petróleo e da venda de armamento, a realidade quotidiana passa-nos ao lado. São tragédias diárias, de tal forma recorrentes que o fluxo de imagens e informação as tornam banais. "África, berço da humanidade e esgoto da civilização".

Parece claro que não há interesse em resolver os problemas reais dos povos africanos, o lucrativo submundo do continente negro fala muito mais alto que as vidas lá presentes. São vidas humanas, essas que valem, proporcionalmente, muito menos que uma vida norte-americana. Duas mil pessoas morreram no dia 11 de Setembro de 2001 e a perspectiva de segurança internacional e a própria historicidade global mudaram. Diariamente milhares de seres humanos cambaleiam famintos até a morte, onde sua pouca carne é alimento para abrutres. Morrem em África sem que isso constitua motivo de reflexão ou luto mundial.

Uma vida norte-americana por um milhão de vidas africanas. Modern times?

"American eyes, American eyes....
View the world from American eyes
Bury the past, rob us blind
And leave nothin behind" (RATM)

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