09/10/2008

Qualquer Delas Para Ser Exacto

O meu olhar é perdido como o de quem espera. Já não sei quantas horas se passaram desde que cá cheguei, e de tanto esperar, meus olhos se perderam no meio deste cinzento céu. Preciso encontrar-lo, preciso daquele tempo de volta.

São tantas as necessidades, que a saudade dos novos tempos me consome, me devora e me cospe.
Olhar perdido e alma igual, os olhos são o espelho da alma.
Acredito nesse caminho, mas tenho tanto medo que não sei que palavra caberá melhor na próxima frase. Então é assim, vou seguindo sem nenhuma palavra boa para usar, mas seguindo.

Caminho na febre desse mundo em busca da paz de espírito, pois meu espírito não está pronto, não está, minimamente.
Dizem por ai que um dia chega uma luz tão forte que não se enxerga nada além dela.
Então é assim, uma grande luz e a cegueira em sequência.

O vai, vem e até à volta. Esta cidade me mata, pois toda a cidade me mata. Qualquer delas, para ser exacto.

Eu disse tantas coisas ontem, não me lembre da metade delas, se me faz favor.
Tenho em minhas mãos uma grande queimadura. Aqui estou, perdido atrás de meus pequenos olhos castanhos.

Minhas pegadas estão em dois continentes diferentes, minhas palavras ecoam por entre os corvos que sobrevoam Lisboa. Vou andando desde Vitória até a vitória.

Sei que já perguntei a ti, mais de três vezes, mas sinceramente não resisto!


-Onde fica minha casa!?

Tenho esperança que alguém saiba me responder.
E se não souber, não saberei mais de nada.
De nada em absoluto...

1 comentário:

  1. "Caminho na febre do mundo em busca de paz de espírito, pois meu espírito não está pronto."


    lindo o texto
    talvez o melhor escrito dos q eu li aqui
    parabéns

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