29/06/2009

OS ENTRETANTOS

Maria me odiava. Mas ela não me conheceu.
Sabia apenas que alguém de nome assim como o que tenho a havia feito mau.
Nunca me senti mal por isso, também não sei quantas Marias eu hei de magoar.
Que pelo menos seja cada uma à sua maneira, para não cometer os mesmo erros. Quando erros eles forem.
O que me força ao pulo é sentimento sem nome ainda. Daqui de cima, se eu tivesse coragem.
Joana costumava contar-me seus segredos e nunca teve medo, pois eu não era bom escritor.
Sofia, no mais, nem me olhava com intenção, não era mais que uma conversa que ajudava a esquecer a insónia. Ela por vezes não dormia, coitada, os monstrinhos em sua cabeça eram tão grandes quantos os meus.
Teresa tinha um certo receio de aproximar-se, dizia ter medo dos buracos da minha cabeça. Daquilo que saia da minha boca e de como entrava pelos meus olhos e ouvidos.
Meu peito parece não ser forte o suficiente para aguentar as chegadas e partidas de todas elas, mas vou seguindo, as vezes desvio, por culpa de uma que insiste que a siga até ali.
Daniela não aceitava o facto da distância implacável, o logo ali era longe demais, ela se foi para mais longe ainda. Culpada da minha primeira translação alcoólica.
Teve seus pontos positivos, senti-me feliz ao ver o mundo girar ao meu redor. Egoísmo, há quem diga.
Tatiana não quis ficar, não queria voltar, muito menos saber. O mesmo se passou comigo, ela nunca me percebeu, tão pouco eu a ela.
A síndrome do seu pânico nunca me afectou totalmente. Mas se acontecer será bem vinda, talvez. É sempre bom experimentar sentimentos diferentes. Só para aprender.
Eventualmente Diana me tinha raiva, nunca sabia se era aquela cena com pasta de dentes ou o acontecido com a sua irmã.
Cedo ou tarde tudo apodrece. Na beira da morte eu hei de conta-las todas e lembrar das que valeram a pena, lembrar quantas vezes não fui tolerante, de quantas vezes a claustrofobia me apertava contra o canto daquela parede ali. Alguns apertos são bons.
Não quero perder o meu distúrbio, aprendi a conviver com ele e com elas todas.
Infinitamente quero continuar, no fundo do meu posso tem uma mola e assim fica desnecessário usar a força para subir.
Todas elas levaram um pedaço de mim e mesmo assim, continuo inteiro e razoavelmente saudável, pois hoje é um dia tão bom como qualquer outro.

2 comentários:

  1. Marta Machado Martins01/07/09, 20:33

    ' Todas elas levaram um pedaço de mim e mesmo assim, continuo inteiro e razoavelmente saudável, pois hoje é um dia tão bom como qualquer outro. '

    Dar não é esvaziar partes da alma, mas, sim, enchê-la de novo conhecimento que ensina e faz crescer. Cada vez que damos, aumentamos cá dentro. E o que levam de nós não é nosso, é apenas parte da nossa vivência. Porque nós somos inteiros, sempre, venha quem vier, parta quem partir. Porque nada acontece por acaso.

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  2. lindos nomes:)
    pois.. o que se há de fazer, voaram todas, se calhar nao tiveste coragem de as prender dentro de uma gaiola! um acto nobre? sim.. talvez!
    mas nao te preocupes existe sempre um papagaio que vem e fica. muitas vezes por razoes inexplicaveis!.
    fico contente por nem sequer pensares em perder este tal disturbio, isto é algo teu e sem ele nao serias tu!mas lembra-te mesmo com uma mola no fundo do poço, é necessário forças para te agarrares as paredes e pores-te la fora ou ate mesmo para te equilibares com as pernas e nao voltares a cair! os dias sao sempre bons sim senhor.. mas nenhum igual ao outro e todos trazem algo de novo... quem sabe mais uma maria?
    :P

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