03/08/2009

O HOMEM HOSTIL E A PONTE

Quando aqui cheguei era menino e vi com o deslumbre de estar do lado de fora de casa.
Até que me chegaram com a verdade. Era uma casa de pulhas. Todas são.
Cada morador defende a sua e a agride a outra.
Quando cá cheguei, diziam que minha casa tinha boa musica, óptima comida e alegria.
Mas nunca fui bem vindo à de ninguém.
Mesmo que muitos destes tenham invadido e roubado a minha pequena casa.
Tua casa é linda, mas tu, tu és feio.
Ninguém te levará para a festa onde tua música toca, onde nossa comida transborda.
Todas as tuas coisas são bem vindas, principalmente teu dinheiro, ele é sempre bem vindo.
Não é necessário desculpas quando faz parte do costume da casa.
Não tenho crença na mudança, pois pretendo me instalar como parasita.
Porque quando o hospedeiro morrer, volto a vida normal, volto para ela.
Não gosto de ir por essa ponte que é fácil de atravessar, pois é sempre mais complicado voltar.
Quando os dias passam e tu deixas de ser menino, torna-te um parasita.
Há homem bom, viste algum? Onde?
Veja o poeta, ele é exemplo, gasta dinheiro ouvindo conselhos que não vai cumprir.
Mas gosta de ouvir. Deixem-no ir.
Seria absurdo sentir falta de algo que não é seu?
Nada aqui é meu, por isso, de nada sinto falta.
E quando tudo começar a cair, será a vez de minha casinha virar um castelo.
Então, como aprendi por cá, eu fecharei a porta.
E sorrindo direi, estejam a vontade para voltar.


1 comentário:

  1. Olá Fernando, tomei conhecimento do seu blog após a polêmica envolvendo o "humorista" Danilo Gentili, vi um comentário seu em algum blog.
    fizemos um videozinho como forma de protesto, se gostar favor ajudar a divulgar e vamos acabar com essa palhaçada e muito obrigado pelo apoio

    http://www.youtube.com/watch?v=t2WMSv0j84M

    abraço

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