24/09/2009

DO LADO DE FORA

Ele subitamente arranca em sua direcção, parece estar bêbado, ou levemente afectado.
Observo passivamente, os olhos dele parecem perder-se entre a fumaça do gelo seco.
Leva um copo, todos levamos muitos...
Inocente representante de todos que a desejam.
Ela vai se negar, acredito, negar-se a dançar, a falar e tudo mais que a sua beleza a permitir fazer.
As vezes vejo-a como ele, com desejo e coragem de ir em sua direcção, mas sei que ela vai rejeitar... a ele, a mim e a todo que se aproximar...
É de sua natureza, ele não sabe brilhar, não sabe seguir sem tentar.
São os passos que eu queria dar, mas não o fim que gostaria de ter.
Gostaria de saber o teor da conversa, o teor alcoólico dessa história.
Para para conseguir entender o fim que já conheço, o fim que descrevo sem me esforçar.
Ávida como escolheu ser, como escolheu ter a faz ter direito de se negar ao juízo de pensar que somos capazes de tudo que por vezes não podemos dizer, pelo risco de parecermos esquisitos.
Há lugares que ser esquisito é bom. Mas bom mesmo é ir para casa acompanhado, sentir algum calor humano.
Ela não foi... Não quis, não dançou... Apenas pagou e se foi... como sempre faz, e como fará.


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Poema paralelo ao do 'O HOMEM MAIS TRISTE QUE JÁ TOMOU UM COPO DE TEQUILA'.
Perspectiva do Homem de Azul.

1 comentário:

  1. Será que Noel conseguiria oferecer a ela uma rosa?
    E por que será que ela não quis aproximação com o moço do bar?
    Será que não era obvio demais o que ela desejava? afinal, desejos sentimentos não são revelados assim, são descobertos para serem apreciados (por poucos!)
    ...

    Enfim, adoro fazer analises pós leitura e releitura de contos, principalmente quando ele (o conto) nos permite imaginar possiveis soluções e mesmo sem chegarmos no nada sobre essas soluções.

    Abraços.


    Amanda Souza.

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