25/01/2010

A ULTIMA VEZ QUE...

Quando eu era criança, nada sabia e não me importava em ser ignorante.
Na fase adolescente tornei-me confuso, mas era um pequeno desespero passageiro, como o de todos habitantes dessa fase.
Aprendi a correr atrás do céu, mesmo quando ele parecia sumir.
Bebi todas as vezes que me apeteceu e nem assim eu sorri.
No meio desse tempo perdido a música foi minha melhor amiga, já que todas as namoradas não conseguiram me conhecer.
A cadeia evolutiva fez-me presa e predador em alternados tempos.
Tenho um telefone, a que dei o nome de solidão, serve apenas para falar com o mundo que não tenho por perto, mas que insisto em manter, mesmo sem saber se ele me quer de volta.
Depois que crescemos o brinquedo encarece, o corpo enfraquece e o coração parece ser apenas parte do sistema vascular, metáforas a parte é, ele segue imune a qualquer sentimento que possa levar a gente daqui.
Quero apenas ter coragem de dar mais um chance a essa vida.
Penso que o problema não está no dinheiro, esse você troca por dedicação e subserviência.
O problema reside na coisa, a coisa é artificial, a coisa tem sempre sabor de morango ou chocolate.
O problema também está no papel, no meu, no seu, no de todo maldito estranho que insiste em concorrer com o próximo.
Quando eu era criança, era apenas a bola, a bicicleta, mas agora é o tempo, o carro, a carreira.
Quantas merdas vão querer de mim?
Não quero confusões neste lugar vazio, não tenho como lançar cadeiras aqui.
Tenho nojo demais para tocar em qualquer um presente neste recinto de forma agressiva, não bato em ignorantes. Os ignorantes não sabem o que falam.
Os demónios de carne e osso estão à nossa volta e isso me faz sempre escolher a coisa melhor que a palavra, o silêncio.

7 comentários:

  1. Velho Din,

    Admiro a sua persistência com a escrita. Eu já tentei manter uma coisa assim, mas não funcionou comigo. Bem, no seu caso não é um mero exercício intelectual, seus textos parecem funcionar como terapia. Você escreve o que sente, quase sempre. As linhas deste seu “A última vez que...” são dotadas de muita força. Quase dá pra sentir a sua solidão. Mas meu caro amigo, não desanime. É mesmo terrível sentir-se como “a ghost along the river”, mas parece que as coisas tendem a melhorar para você, ao menos este é o nosso desejo. Fica em paz.

    Um grande abraço,

    Luciano

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  2. coisa rara ver o silêncio em Din!

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  3. Você escreve bem maluco, mas vivo me perguntando o que se ganha com isso?

    Grande abraço.

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  4. Queria fazer das minhas palavras as suas, mas hoje so me resta o silêncio.

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  5. Parabéns por o que escreves, deixas te me a pensar em determinados acontecimentos que fui tendo nesta vida tão dificil... gostaria de ter tido a coragem para escrever sobre ela, mas quando a vida se torna escura durante algum tempo é mais dificil, se fosse agora, talvez escrevesse.. fui a escolhida pela VIDA..não sei o porque, porque tive que passar por determinadas traições que ela me submeteu, a morte,a doença, coisas tão pessadas para uma pessoa, o curto espaço entre elas não me deixou acalmar os sentimentos,foram sempre abrindo novas fridas cá dentro, que vão só agora, tentando sarar. Não vou deixar que essa VIDA se torne amarga pelos acontecimentos, mas sim vou ficar mais forte e sempre com a cabeça erguida,não vou a baixo, não vou deixar que isso aconteça!Vou lutar ate ao fim..Obrigada por este momento.Mariana

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  6. "Tenho um telefone, a que dei o nome de solidão, serve apenas para falar com o mundo que não tenho por perto, mas que insisto em manter, mesmo sem saber se ele me quer de volta" lindo isso

    qria sua permissao pra colocar essa frase no meu blog,com creditos a vc,claro

    abraço meu caro

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  7. Esteja a vontade grande Rafa, é um puta dum orgulho para mim!!

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