26/02/2010

SKOLL

Foi quando ela me deu o sol para mão e disse, esconde. Então levei-o comigo, queria guardar, esconder, mas seu brilho não me permitia.

Cada vez que seus recados rompem o silencio desta sala e chegados por mensagens directas, eu sei calar, sorrir, ler e me guardar.

Caminho devagar, para dar tempo de pensar mais coisas que não tenho coragem de fazer, pois se ando, vou a algum lado e se vou, estou ocupado, ocupado demais para fazer o que não tenho coragem de fazer.

Um ramo de flores, alguma poesia, delicadeza, trocados pelo sabor de um "bom dia", "melhoras", "saudades tuas" e juras infinitamente vacilantes e há casos em que até alguma ofensa cai bem... contamina o dia, provoca a desculpa, as pazes, alimenta a vida real, com sal e pimenta, f*d*-se... muita pimenta.

Eu tenho febre hoje, ontem eu tive também... sinto fome mas nenhum sabor me agrada, me sinto atrasado demais para comer, me sinto atrelado demais para fazer o que devia fazer.

Me peça em casamento, me chame de amor, me conte uma história, sou só um menino, mas não cuide muito bem de mim, toda mãe tem que abandonar o filho, o filho cresce e você não é minha mãe, apenas encoste em mim.

Eu descobri onde posso esconder. Vou eu mesmo comer, pois o homem é o lobo do homem. Eu sou homem, lobo de alguém e também lobo de mim. Hei de matar cada pedaço, mas por dentro, para manter a aparecia falência quotidiana.

Cá dentro todos somos reis, minha rainha. Cá dentro somos capazes do impossível, cá dentro... somente dentro, no fundo e no fim, somente no fim é que sabemos de todas as coisas que deveríamos ter feito quanto ficamos ocupados fazendo parecer que a falta de tempo é que nos prejudicou.

Toda vez que me coloco aqui e sou baleado, eu escolhi a rua. Toda vez que tropeço na pedra e caio, fui eu quem escolheu essa estrada e toda vez que eu te encontrar, fui eu que aceitei o caminho.


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