30/03/2010

SOL FEMININO

Medrosa. Queria ser o sol. Calor que te seca. 
Brilho que reflete. Te penetra. Te entregas. 
Tanta pureza e pudor. Tanta vontade e poesia(...)

Passaram-se anos, desde a ultima festa,
Daquele corredor, nem casa mais há, 
Tudo ficou diferente, sorriso e pele, acções do tempo,
Eu que inocente a levava comigo a peito, 
Hoje apenas lamento investimento tardio, 
Se eu quisesse com mais força, se soubesse ler o sinais,
Lembro-me de seus pés descalços, lembro do sorriso e até do cabelo, 
Mas talvez seja a voz, o ponto mais alto das minhas lembranças,
Ela tinha tudo como eu, boca, nariz e olhos, vontade, 
Mas eu não sabia ler seus movimentos, confesso, 
Ela flutuava pelo chão do corredor, com olhares ternos,
Naquele tempo, eu sentia desejo por a tocar e beijar,
Confesso, naquele tempo, tudo era só desejo,
Talvez não houvesse nada mais,
Hoje eu posso verdadeiramente confessar,
O desejo virou vontade e essa tornou-se fixação,
Ela me ouviu gritar e enganar pessoas, 
Ela sentia o quanto minha alma era doente,
Ela sabia quanto valia ter um sorriso meu guardado numa caixa,
Pois eram raros como borboletas azuis,
Ou amarelos, comuns como os insectos da lâmpada,
Para ela, nunca nada foi pintado de amarelo,
Ela merecia aquele azul, o sol merece,
Eu só queria tirar a minha Alice das correntes,
Pintar para ela um quadro com toda aquela minha pequena arte, 
Então veio tempo, sempre ele ladrão de momentos,
A vida cada vez se complicava mais, eu eu queria falar, não podia falar, 
Peguei um papel, minha caneta e toda verdade escondida,
Peguei a coragem e tentei contactar-la e ela parecia tão bem,
As vezes pensava que a minha simples presença era capaz de matar algo, 
Ja vi muita flor morrer e eu não queria mais essa morte sob meu olhar,
-Gira Sol, vem até mim, que eu canto para você dançar, 
-Se cair a chuva, eu posso ser nuvem e lhe cobrir até ela passar
Sempre achei que minhas palavras valessem muito, 
Por conta de não omitir e não mentir para quem gosto,
Mas quanto mais digo e aparento franqueza mais pareço criança.
Mais a afasto de mim.

9 comentários:

  1. Lindo,

    Flávia Melo.

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  2. nosa kra

    impressionante,eu me vi

    aliás... eu, ela e o tempo

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  3. Nossa, como o Rafael, eu me vi,
    minha alma insana,
    louca por uma mulher,
    por um amor.
    Fiquei vibrado louco apaixonado pelo poema,
    O Poeta de Plutão

    www.carlosbranco.com.br

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  4. Verdade,
    a mulher como ser, nos permite descreve-lá de varias formas com tudo que a natureza nos permite,
    sou um homem viciado na beleza e na paixão da mulher.

    www.carlosbranco.com.br
    O Poeta de Plutão

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  5. Nunca tinha lido uma poesia tão diferente. Adorei quando diz 'um sorriso meu guardado numa caixa; pois eram raros como borboletas azuis', que forma linda d descrever!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Lindo,lindo demais! To viciada em você. rs

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  8. muito bom me encaixo perfeitamente em muitos conjunto de palavras desse texto lindo!

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