10/05/2010

Arrotos #2

Vou pôr um anúncio obsceno no diário
pedindo carne fresca pouco atlética
e nobres sentimentos de paixão.
Desejo um ser, como dizer, humano
Que por acaso me descubra a boca
e tenha como eu fendidos cascos,
bífida língua azul e insolentes
maneiras de cantar dentro de água.
Vou querer que me ame e me abandone
com igual e serena concisão
e faça do encontro relatório
ou poema que conste do sumário
nas escolas ali além das pontes.
E espero ao telefone que me digam
se sou feliz, real, ou simplesmente
uma espuma de cinza em muitas mãos.

António Franco Alexandre
Quatro Caprichos
Assírio & Alvim, 1999

1 comentário:

  1. xD
    Carne Fresca,
    eu só como carne podre que o açougue me vende em decomposição,achando ser fresca,
    unica carne fresca que como são um lindo par de pernas que se encaixam com as minhas.

    www.carlosbranco.com.br

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